sábado, 26 de outubro de 2019

Retrospectiva


        Ai, que remorso voraz!
O tempo não volta mais...
Sente que pouco aprendeu,
Menos ainda viveu.

Por mais que nos livros lesse
E, com os heróis, sofresse
Pelo amor que partiu,
Histórias de amores mil,

Não o há deveras sentido,
Porquanto, em prisão mantido
Por barras de medo grossas,
Coração cheio de mossas,

De tanto tentar sair
Para alçar voo, colibri!
Conquanto deseje amar,
Ferido, cansado está.

Não duas vezes, ou três,
Lágrimas tingiram a tez,
Destravou o duro gradil,
Buscou emoção varonil.

Quando se julgava perto,
Parecia o amor tão certo,
Tremia, ficava incauto,
Era tolhido de assalto.

Ei-lo em leito de morte,
Lamentando a própria sorte...
Reconhece a própria culpa
De não ter vivido deveras,
Pelas sanções mui severas
Que o cerraram numa pulpa.