Se me queres a outra face bater,
Ofereço-a de mui bom grado e amor.
Prefiro meu tormento à tua dor:
Não quero tuas lágrimas colher.
Se me queres estalar o chicote,
O manto rasgo, o lombo desnudo.
Desce-o sem dó! Rasga-me, rasga tudo!
Apenas amo-te, não que eu sou forte.
Se me queres atravessar a lança,
Permita-me afiá-la para ti.
Tão-somente quero ver-te sorrir,
Por amor que apenas a fé alcança.
Se me queres pendurar na cruz,
Colherei a madeira para tecê-la.
Abro as mãos para, com pregos, cosê-las
E para que, enfim, encontres a luz.
Se me queres o sangue derramar
E ver a vida fugir dos meus olhos,
Sabe: verter-te-ei perdão aos molhos,
Pois logo vou ressuscitar.
E, se quando terminar meu martírio,
Ainda que único vivo creia nisto,
Que, no meu Reino, será mui quisto,
Terá valido a pena o sacrifício.
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